Mostrando postagens com marcador Rebeliões Sociais no Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rebeliões Sociais no Brasil. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A Guerrilha do Araguaia: Amazônia - Década 70.

Movimento guerrilheiro desenvolvido na  região amazônica brasileira ao longo do rio Araguaia entre fins da década de 60 e a primeira metade da década de 70. Criada pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B), uma dissidência armada do Partido Comunista Brasileiro (PCB), tinha como o objetivo fomentar uma revolução socialista a ser iniciada no campo contra a ditadura militar instalada no Brasil. Na época, se basearam nas experiências vitoriosas da Revolução Cubana e da Revolução Chinesa. Composta por cerca de 80 homens, o movimento pretendia, através de ações socais, obter o apoio popular dos camponeses da região. Os guerrilheiros ficaram cerca de dois anos instalados na região, para somente depois de uma preparação social e militar, declararem guerra ao regime militar instalado no Brasil. Como presidente, o militar Médici usou da censura para impedir a divulgação e a popularização da guerrilha e mandou tropas das forças armadas para desarticular a ação dos guerrilheiros. Sem o apoio popular local, nacional e com poucos armamentos, a Guerrilha do Araguaia foi batida pelas forças governamentais. Muitos documentos sobre esta história só foram revelados a partir de 2004 com a abertura dos arquivos da ditadura militar.

Prof. Vinicius Simões

A Intentona Comunista: R. de Janeiro, Natal, Recife– 1935.

Também conhecida como Revolta Vermelha de 35 e Levante Comunista, foi uma tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas realizado Partido Comunista Brasileiro em nome da Aliança Nacional Libertadora. As reivindicações, sob influência comunista, tiveram a idéia de uma revolução "nacional-popular" contra as oligarquias, o imperialismo e o autoritarismo. Propunham, no seu horizonte de reivindicações menos imediatas: a abolição da dívida externa, a reforma agrária, o estabelecimento de um governo de base popular, em outras palavras, uma revolução "nacional-libertadora". Seu líder maior foi Luis Carlos Preste, tenente e convertido ao comunismo, obtendo apoio do Comunismo Internacional, sobretudo soviético. Prestes acreditava que seu prestígio político interno, reforçado pelo apoio internacional, poderia mobilizar vários setores sociais como camponeses, operários, a classe média e até mesmo setores das forças armadas anti-imperialistas. O movimento foi interpretado intencionalmente, pelo governo, como uma ação imperialista soviética e não como uma ação popular brasileira. Diante da ameaça, Getúlio rapidamente assegurou a fidelidade das forças armadas e conseguiu deter, nas três cidades, a ação revolucionária e estabelecer a ordem. Prestes foi preso e sua “mulher”, Olga Benário, que também atuou como revolucionária, foi transferida para a Alemanha Nazista ainda grávida.  

Prof. Vinicius Simões

A Revolução Constitucionalista: SP – 1932.

Movimento armado liderado pelas oligarquias cafeeiras paulistas com o objetivo de derrubar o governo provisório de Getulio Vargas e a criação de uma constituição para o país, pois Vargas governava o Brasil de maneira inconstitucional. Foi uma resposta paulista à Revolução de 1930, a qual acabou com a autonomia que os estados gozavam durante a vigência da Constituição de 1891. Além da constituição, o movimento exigia que o governador de São Paulo fosse paulista e não de outro estado como Getúlio havia ordenado. Convencida, uma parte da população paulista se organizou e enfrentou as tropas do governo Vargas com o intuito de derrubá-lo. A oligarquia  acreditava poder recuperar o poder político perdido na revolução de 1930. Embora vitorioso no conflito, Getúlio concedeu as duas principais exigências da revolução: convocou Assembléia Nacional Constituinte e permitiu que o governador de São Paulo fosse paulista. Este foi o último grande conflito interno ocorrido na história recente do Brasil.

Prof. Vinicius Simões

A Coluna Prestes: Brasil – 1925.

 A Coluna Miguel Costa-Prestes, popularmente conhecida somente por Coluna Prestes, foi um movimento político-militar brasileiro ligado ao tenentismo, corrente que possuía um programa bastante difuso, mas algumas linhas gerais podem ser delineadas: insatisfação com a República Velha, exigência do voto secreto, defesa do ensino público e a obrigatoriedade do ensino primário para toda população. O movimento deslocou-se pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Artur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís. Em sua marcha pelo Brasil, os integrantes da Coluna Prestes denunciavam a miséria da população e a exploração das camadas mais pobres pelos líderes políticos. A Coluna Miguel Costa-Prestes, com o comando principal de Miguel Costa e de Luís Carlos Prestes (chefe de estado-maior) enfrentou as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais de vários Estados, além de tropas de jagunços estimulados por promessas oficiais de anistia. A Coluna Prestes percorreu mais de 24000 km pelo interior do Brasil durante dois anos e meio. Apesar dos esforços, a Coluna Prestes não conseguiu a adesão da população. A longa marcha foi concluída em fevereiro de 1927 na Bolívia, perto de nossa fronteira, sem cumprir seu objetivo: disseminar a revolução no Brasil.

Prof. Vinicius Simões|

A Revolta do Forte de Copacabana: Rio de Janeiro – 1922.

Foi a primeira revolta do movimento tenentista no contexto da República Velha brasileira. Na campanha eleitoral de 1921, Artur Bernardes foi o candidato do governo à presidência saindo-se amplamente vencedor, como sempre acontecia com o candidato da situação. Durante a campanha foram enviadas ao Correio da Manhã algumas cartas ofensivas ao Exército e ao marechal Hermes da Fonseca. As cartas eram assinadas por Artur Bernardes, mas as assinaturas eram falsificadas, o que só se descobriu mais tarde. O Clube Militar decidiu então impedir a posse de Bernardes. No dia 5 de julho de 1922 os quartéis seriam tomados pelos tenentes que exigiriam a renúncia do presidente. No dia marcado, porém, só a Escola Militar e o Forte de Copacabana se levantaram. Cercados pelas forças leais ao governo, não tiveram alternativa a não ser entregar-se. Entretanto, 17 tenentes e um civil resolveram enfrentar o governo oligárquico e saíram do Forte de Copacabana caminhando pela praia. Foram atacados e só dois sobreviveram: Eduardo Gomes e Siqueira Campos. O episódio ficou conhecido como "Os 18 do Forte de Copacabana".

Prof. Vinicius Simões

A Guerra do Contestado: Paraná – 1912.

A estrada de ferro entre São Paulo e Rio Grande do Sul estava sendo construída por uma empresa norte-americana, com apoio dos grandes proprietários rurais da região e do governo. Para a construção da estrada de ferro, milhares de família de camponeses perderam suas terras. Este fato gerou muito desemprego entre os camponeses da região. Outro motivo da revolta foi a compra de uma grande área da região por de um grupo de pessoas ligadas à empresa construtora da estrada de ferro. Esta propriedade foi adquirida para o estabelecimento de uma grande empresa madeireira, voltada para a exportação. Com isso, muitas famílias foram expulsas de suas terras. O clima ficou mais tenso quando a estrada de ferro ficou pronta. Muitos trabalhadores que atuaram em sua construção tinham sido trazidos de diversas partes do Brasil e ficaram desempregados com o fim da obra. Eles permaneceram na região sem qualquer apoio por parte da empresa norte-americana ou do governo. Os coronéis da região e os governos (federal e estadual) começaram a ficar preocupados com a liderança de José Maria e sua capacidade de atrair os camponeses. O governo passou a acusar o beato de ser um inimigo da República, que tinha como objetivo desestruturar o governo e a ordem da região. Com isso, policiais e soldados do exército foram enviados para o local com o objetivo de desarticular o movimento. Mesmo armados os camponeses foram derrotados pelas forças oficiais. Nestes conflitos armados, entre 5 mil e 8 mil rebeldes, na maioria camponeses, morreram. 

Prof. Vinicius Simões

A Guerra do Contestado: Paraná – 1912.

A estrada de ferro entre São Paulo e Rio Grande do Sul estava sendo construída por uma empresa norte-americana, com apoio dos grandes proprietários rurais da região e do governo. Para a construção da estrada de ferro, milhares de família de camponeses perderam suas terras. Este fato gerou muito desemprego entre os camponeses da região. Outro motivo da revolta foi a compra de uma grande área da região por de um grupo de pessoas ligadas à empresa construtora da estrada de ferro. Esta propriedade foi adquirida para o estabelecimento de uma grande empresa madeireira, voltada para a exportação. Com isso, muitas famílias foram expulsas de suas terras. O clima ficou mais tenso quando a estrada de ferro ficou pronta. Muitos trabalhadores que atuaram em sua construção tinham sido trazidos de diversas partes do Brasil e ficaram desempregados com o fim da obra. Eles permaneceram na região sem qualquer apoio por parte da empresa norte-americana ou do governo. Os coronéis da região e os governos (federal e estadual) começaram a ficar preocupados com a liderança de José Maria e sua capacidade de atrair os camponeses. O governo passou a acusar o beato de ser um inimigo da República, que tinha como objetivo desestruturar o governo e a ordem da região. Com isso, policiais e soldados do exército foram enviados para o local com o objetivo de desarticular o movimento. Mesmo armados os camponeses foram derrotados pelas forças oficiais. Nestes conflitos armados, entre 5 mil e 8 mil rebeldes, na maioria camponeses, morreram. 

Prof. Vinicius Simões

A Revolta da Chibata: Rio de Janeiro – 1910.

Movimento de oficiais da Marinha do Brasil, planejado por cerca de dois anos e que culminou com um motim que se desenrolou sob a liderança do marinheiro João Cândido Felisberto. Na ocasião, mais de dois mil marinheiros rebelaram-se contra a aplicação de castigos físicos a eles impostos como punição, ameaçando bombardear a cidade. Durante os seis dias do motim seis oficiais foram mortos. Um trecho da lei de punições na marinha: “Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo." Insatisfeitos com a política de punições aplicadas pela marinha, os marinheiros rebeldes controlando várias embarcações, ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro caso não fosse extinta as punições agressivas. O governo do presidente marechal Hermes da Fonseca declarou aceitar as reivindicações dos amotinados abolindo os castigos físicos e anistiando os revoltosos que se entregassem. Estes, então, depuseram armas e entregaram as embarcações. Entretanto, dois dias mais tarde, alguns marinheiros foram expulsos da Marinha sob a acusação de "inconveniente à disciplina".

Prof. Vinicius Simões

A Revolta da Vacina: Rio de Janeiro – 1904.

No inicio do século XX, a cidade do Rio de Janeiro, capital da República, apesar de possuir belos palacetes e casarões, tinha graves problemas urbanos: rede insuficiente de tratamento de água e esgoto, coleta de resíduos precária e cortiços super povoados. Nesse ambiente proliferavam muitas doenças como a tuberculose, o sarampo, o tifo e a hanseníase. Decidido a sanear e modernizar a cidade, o então presidente da República Rodrigues Alves deu plenos poderes ao prefeito ao médico Dr. Oswaldo Cruz para executarem um grande projeto sanitário. Foi colocado em prática uma reforma urbana, que ficou conhecida como bota abaixo, em razão das demolições dos velhos prédios e cortiços que deram lugar a grandes avenidas, edifícios e jardins. Milhares de pessoas pobres foram desalojadas à força sendo obrigadas a morar nos morros e na periferia. Esse projeto fortaleceu a segregação social na cidade do Rio de Janeiro. Para o combate às doenças o Oswaldo criou uma vacina e o governo a tornou obrigatória. Isso foi o estopim da revolta: no dia 5 de Novembro, a oposição criava a Liga contra a Vacina Obrigatória. A cidade virou um campo de guerra. A população exaltada depredou lojas, virou e incendiou bondes e fez barricadas. A reação popular levou o governo a suspender a obrigatoriedade da vacina, declarar estado de sítio e conter a rebelião. Pessoas foram presas e muitas delas deportadas para o Acre. Ao reassumir o controle da situação, o processo de vacinação foi reiniciado. A varíola, em pouco tempo, foi erradicada da capital.

Prof. Vinicius Simões

A Guerra de Canudos: Bahia – 1896.

Foi o confronto entre o Exército da República e um movimento popular de fundo sócio-religioso liderado por Antônio Conselheiro no interior do estado da Bahia. O episódio foi fruto de uma série de fatores, como a grave crise econômica e social pela qual passava a região.   Esta época foi historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico. Milhares de sertanejos partiram para Canudos, cidadela liderada pelo peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social. Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo republicano, reinstalando a Monarquia. Apesar de não haver nenhuma prova para estes rumores, o Exército foi mandado para Canudos. Três expedições militares contra Canudos saíram derrotadas. A derrota das tropas do Exército pelos canudenses nestas primeiras expedições apavorou a opinião pública, que acabou exigindo a destruição do arraial dando legitimidade ao massacre de até vinte mil sertanejos. Além disso, estima-se que cinco mil militares tenham morrido. 

Prof. Vinicius Simões

A Revolução Federalista: R. Grande do Sul – 1893

Teve como causa a instabilidade política gerada pelos federalistas, que pretendiam "libertar o Rio Grande do Sul da tirania de Júlio Prates de Castilhos", então presidente do Estado. Empenharam-se em disputas sangrentas que acabaram por desencadear uma guerra civil que foi vencida pelos pica-paus, seguidores de Júlio de Castilhos. A divergência teve inicio com atritos ocorridos entre aqueles que procuravam a autonomia estadual, frente ao poder federal e seus opositores. Armados, os maragatos exigiram a deposição de Júlio de Castilhos, que havia sido eleito presidente do estado pelo voto direto. Devido à gravidade do movimento, a rebelião adquiriu âmbito nacional rapidamente, ameaçando a estabilidade do governo riograndense e o regime republicano em todo o país. Floriano Peixoto, então na presidência da República, enviou tropas federais sob o comando do general Hipólito Ribeiro para socorrer Júlio de Castilhos e derrotar os federalistas.

Prof. Vinicius Simões

A Revolta Armada: Rio de Janeiro – 1891.

A chamada Revolta da Armada foi um movimento de rebelião promovido por unidades da Marinha do Brasil contra o governo do Marechal Floriano Peixoto, supostamente apoiada pela oposição monarquista à recente instalação da República. Desenvolveu-se em dois momentos: durante o governo do Mar. Deodoro da Fonseca e depois no governo do Mar. Floriano Peixoto. As dificuldades de governar diante de sua oposição, o presidente Mar. Deodoro da Fonseca resolveu, desrespeitando a Constituição, dissolver o Congresso Nacional. Diante disto destacamentos da marinha, politizados e revoltados com a medida autoritária, ameaçaram a bombardear a cidade do Rio de Janeiro. Deodoro renunciou. Na Constituição havia a obrigação de se convocar novas eleições para o cargo de presidente. O Mar. Floriano Peixoto, na condição de vice-presidente não convocou eleições gerando insatisfação social. O alto escalão da marinha, que possuía um candidato ao cargo à presidência, exigiu de Floriano a imediata convocação das eleições, sua recusa provocou o choque militar entre integrantes da marinha e do exército, fieis a Floriano. A Armada (tropas da marinha) foi rendida e o movimento foi controlado e derrotado.

Prof. Vinicius Simões

A Revolução Praieira: Pernambuco – 1848

Movimento armado liderado pela ala liberal dos políticos pernambucanos apoiada por camadas menos favorecidas da região. Os rebeldes, influenciados pelas idéias liberais e socialistas, criticavam a política centralizadora do governo imperial exigindo autonomia política para as províncias. Escreveram o “Manifesto ao Mundo” que descrevia as principais exigências do movimento: o voto livre e universal para o povo brasileiro; a liberdade de imprensa; o trabalho, como garantia da vida para o cidadão brasileiro; o comércio a retalho só para os cidadãos brasileiros; a inteira e efetiva independência dos poderes constituídos; a extinção do Poder Moderador; a extinção da lei do juro convencional; a extinção do sistema de recrutamento militar então vigente. O estopim para o início da rebelião armada foi quando D. Pedro II demitiu o presidente liberal e nomeou um conservador para a província de Pernambuco. O presidente nomeado foi deposto pelos rebeldes instalando um governo liberal em seu lugar. A repressão militar foi eficiente e as forças revolucionárias foram derrotadas restaurando a ordem social e afirmando a autoridade da monarquia de Pedro II no Brasil.

Prof. Vinicius Simões

A Balaiada: Maranhão – 1837.

A Balaiada foi uma revolta de caráter popular, ocorrida entre 1838 e 1841 no interior da então Província do Maranhão e que após a tentativa de invasão de São Luís, dispersou-se e estendeu-se para a vizinha província do Piauí. Foi feita por pobres da região, escravos, fugitivos e prisioneiros. O motivo era a disputa pelo controle do poder local. A definitiva pacificação só foi conseguida com a anistia concedida pelo imperador aos revoltosos sobreviventes.

Prof. Vinicius Simões

A Sabinada: Bahia – 1837.

Liderada pela classe média e intelectual urbana, o movimento, armado, objetivava a separação da Bahia até a coroação de D. Pedro II. Os rebeldes não encontravam legitimidade no governo regencial. Primeiro, porque os regentes não possuíam “sangue real”, por isso não possuíam o direito do poder por herança. Segundo, porque apenas a elite era quem elegia esta regência, excluindo a maioria população. O médico, Francisco Sabino, liderou o movimento que ocupo a cidade de Salvador e proclamou a separação da Bahia instituindo uma República. A reação militar da regência reprimiu o movimento, prendendo e executando os líderes.

Prof. Vinicius Simões 

A Revolta dos Males: Alagoas – 1835.

Consistiu numa sublevação de caráter racial, de escravos africanos das etnias hauçá e nagô, de religião islâmica, organizados em torno de propostas radicais para libertação dos demais escravos africanos. O termo "malê" deriva do iorubá "imale", designando o muçulmano. Foi rápida e duramente reprimida pelos poderes constituídos. Planejada por elementos que possuíam experiência anterior de combate, na África, de maneira geral, os malês propunham o fim do catolicismo - religião que lhes era imposta -, o assassinato e confisco dos bens de todos os brancos e mulatos e a implantação de uma monarquia islâmica, com a escravidão dos não muçulmanos (brancos, mulatos e negros). Apesar de rapidamente controlada, a Revolta dos Malês serviu para demonstrar às autoridades e às elites o potencial de contestação e rebelião que envolvia a manutenção do regime escravocrata, ameaça que esteve sempre presente durante todo o Período Regencial e se estendeu pelo Governo pessoal de D. Pedro II.

Prof. Vinicius Simões

A Cabanagem: Pará – 1835.

Revolta na qual negros, índios e mestiços se insurgiram contra a elite política e tomaram o poder no Para. Entre as causas da revolta encontram-se a extrema pobreza das populações ribeirinhas e a irrelevância política à qual a província foi relegada após a independência do Brasil. Apesar de ter cunho popular, contou com a participação de elementos das camadas média e alta da região, entre os quais se destacam os nomes do padre João Batista Gonçalves Campos. Em 6 de janeiro de 1835, liderados por Antônio Vinagre, os rebeldes tomaram de assalto o quartel e o palácio do governo de Belém, nomeando Félix Antonio Clemente Malcher presidente do Grão-Pará. A Cabanagem apenas começava. Os cabanos, em menos de um dia, atacaram e conquistaram a cidade de Belém, assassinando o presidente Lobo de Souza e o Comandante das Armas, e apoderando-se de uma grande quantidade de material bélico. O governo cabano não durou por muito tempo, pois o novo presidente, Félix Malcher - tenente-coronel, latifundiário, dono de engenhos de açúcar - era mais identificado com os interesses do grupo dominante derrotado. Este foi deposto em fevereiro de 1835, com o apoio das classes dominantes e pretendia manter a província unida ao Império do Brasil.

Prof. Vinicius Simões

A Guerra dos Farrapos: Rio G. do Sul – 1835.

Os fazendeiros do estado do Rio Grande do Sul, viviam da produção e venda de charque (carne-seca) para o mercado consumidor das principais regiões econômicas do Brasil, o Centro-sul e o Nordeste. Durante o governo Regencial algumas medidas foram tomadas que provocaram a revolta destes estancieiros. A primeira era a falta de autonomia política das províncias, a segunda e mais importante, foi a diminuição das taxas alfandegárias para os produtores de charque argentinos e uruguaios. Esta última medida fazia dos produtos estrangeiros um forte concorrente contra os gaúchos no mercado brasileiro de charque. Como o governo regencial recusava-se a atender as exigências dos gaúchos, o estancieiro Bento Golçalves protestou e organizou tropas para tornar o Rio Grande do Sul uma República independente do Brasil. O rebeldes conseguiram funda a República Rio Grandense que teve adesão também da província de Santa Catarina. A ação militar da regência foi energética. Nem mesmo com o apoio Giuseppe Garibaldi, herói da Unificação Italiana, os rebeldes conseguiram resistir a repressão das tropas regenciais. Apesar de derrotados, a regência atendeu boa parte das exigências dos revolucionários.

Prof. Vinicius Simões

A Confederação do Equador: Pernambuco – 1824.

Liderada pela classe média pernambucana, possuía características separatistas e republicanas. O principal alvo deste movimento foi D. Pedro I que se comportou de maneira absolutista nos primeiros anos de seu governo. Ao dissolver a Constituição promulgada em 1823 e outorgar outra Constituição em 1824, D. Pedro I mostra seu lado autoritário. E além de outorgada, a carta de 1824 deu ao Imperador poderes absolutos quando a ele é instituído o Poder Moderador. Este poder, que na teoria tinha o papel de equilibrar os demais poderes, acabou tornando Pedro I um rei absolutista. Em Pernambuco este autoritarismo se materializou quando os governadores eram nomeados pelo rei em vez de serem escolhidos pelos pernambucanos. O jornalismo foi bastante usado para criticar violentamente a monarquia e seu rei e também para divulgar os ideais revolucionários. Ao tomarem o poder em Pernambuco, o movimento se espalhou por outras províncias do Nordeste. Queriam formar uma Confederação Republicana e Independente e chegaram até a proclamar estas situações. Entretanto, com o apoio militar inglês, Pedro I massacrou os revolucionários e os líderes foram presos e executados. A Confederação marcou a insatisfação nordestina contra o autoritarismo do Imperador. 

Prof. Vinicius Simões

A Revolução Pernambucana: Pernambuco – 1817.

A crise econômica regional, o absolutismo monárquico português, a influência das idéias Iluministas advindos da Europa e propagadas pelas sociedades maçônicas agitaram a sociedade nordestina. As principais causas desta rebelião foram a presença maciça de portugueses na liderança do governo e na administração pública pernambucana, a criação de novos impostos por D. João VI provocando a insatisfação da população, a grande seca que havia atingido a região em 1816 acentuando a fome e a miséria, além disso, houve queda na produção do açúcar e do algodão, que sustentavam a economia pernambucana.  O movimento foi liderado por Domingos José Martins e Frei Caneca. Tendo conseguido dominar o Governo Provincial, se apossaram do tesouro da província, instalaram um governo provisório e proclamaram a República. Tropas do governo enviadas da Bahia avançaram pelo sertão pernambucano, enquanto uma força naval despachada do Rio de Janeiro bloqueou o porto do Recife. Em poucos dias 8000 homens cercavam a província. As tropas portuguesas entraram no Recife e encontraram a cidade abandonada e sem defesa. O governo provisório, isolado, se rendeu no dia seguinte.

Prof. Vinicius Simões